Mas tudo já havia mudado. Ele fingiu normalidade continuou escutando como Cris se atrapalhara todo tendo que ir comprar mais açúcar o qual o estoque havia acabado no mercadinho mais perto e como ele teve que ir a pé no outro mercado, o que ficava mais longe. Não havia mais olhares ou pretensões. Apenas a imaginação dele rondando todo o lugar. Ele estava completamente perplexo por ter lido as palavras "caloroso", "sincero", "adoro" e "abraços". Aquelas palavras ficavam martelando na cabeça dele. A melhor de todas era "abraço", ele ficava imaginando se era uma simples despedida ou a mesma vontade que ele sentia de abraçá-la e sentir o calor do corpo dela em seus braços tendo o conforto de todo aquele estranho sentimento louco e ensurdecedor resostada em seu peito ouvindo sua respiração e poder lhe falar ao pé do ouvido um terno e carinhoso "eu te a... - Controle-se imbecil! - Ele não se permitia ir tão longe na imaginação. Afinal era comprometido. Pelo menos na prática.
Aquelas palavras quase saíram boca afora quando tinha percebido que Cris havia terminado de contar aquela imensa história. Ele nem se dava conta de que um grupo cinco garotinhas numa faixa de uns treze a quinze anos haviam deixado o lugar dando espaço para que os dois amigos dela e mais duas outras pessoas recém chegadas ocupassem os lugares. Mas espere um pouco se fizermos as contas, havia um lugar vazio e apenas uma pessoa dentro da Cyber de pé além, é claro, dele.
-E aí, Leu?
Quanta tortura. Ele suava frio com o desconfortável fato de não saber onde enfiar as mãos. Isso era terrível, não saber onde enfiar as mãos. Dava a ele a impressão de insegurança e descontrole. Agora era a melhor hora para tirar a dúvida.
-Oi? Eh ... eu, li, sim. - Um sorriso sem graça lhe escapou.
-E gostou?
-Claro. Adorei! Muito obrigado! Fico até sem graça com tantos elogios.
-É só o que eu acho de você. E afinal, é tão difícil encontrar alguém tão legal assim como você.
-Ei! - Interrompeu a servidora.
-Dá uma olhada aqui pra mim enquanto eu dô um pulo ali na lanchonete com o Du e a Liza?
A simpática servidora graciosa e de cabelos negros era amiga e confidente dela e a confiava o posto de servidora quando aparecia uma urgência qualquer como por exemplo ter que ir comprar um refrigerante ou alguma coisa que matasse sua incrível fome na lanchonete umas quadras dali.
Ele foi ter com ela no servidor. Agora já sabia que ela gostava de sua companhia. A música estava no fim, uma ótima oportunidade para falar sobre o assunto.
Depois do nervosismo dele se dissipar no papo sobre pop, música conteporânea e outras especialidades da boa música brasileira e internacinal, iniciou-se um duelo de quem escolhe a melhor música. Depois de várias gargalhadas ao som de "Open Your Eyes" de Snow Patrol, as mãos deles se encontraram no mouse, a dela por cima da dele. Mas o que devia ter sido um acidente com uma separação imediata de mãos ficou sendo umencontro magnífico entre vermelhões na bochecha, suor nas mãos e batimentos cardíacos super acelerados, os olhos não saíram da tela do computador enquanto o cursor se movia para o nada e devagar as mãos iam roçando e se afastando até que o último toque provocante. Então os olhares se cruzam rodeando a Cyber que agora se tornara um lugar vazio com apenas dois corações flamejantes.
"Perdi minha direção, você era meu álcool."
Um comentário:
Essa história do açucar... deu o que falar!Que história.
"Controle-se imbecil"... rsrsrsrs Amei, Adorei, muito boa essa.
Começou bom, está ficando melhor a cada dia que passa! Quero mais...................rsrs
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