segunda-feira, fevereiro 15

Hiperatividade.

-Noite fria! - Diz o atirado menino.


-Coisa rara por aqui! Responde a outra com ar de super-interessada-no-assunto.

-Quem dera se fosse assim o ano todo! Não me importaria de usar 20 casacos por semana desde que esteja na mesma temperatura de hoje! Afirma o menino com um rubor vigoroso de não saber quando a conversa vai parar. Por ele duraria dias inteiros mesmo se fosse pra falar apenas sobre o estranho tempo frio úmido e aconchegante que atingia o bairro onde moravam, ou talvez sobre quantos carros passassem, ou sobre o quanto a luz da lua é bonita. Principalmente quando o ar frio limpa o céu e traz a sensação de que a lua parece mais perto, simplesmente ali, esperando ser admirada de maneira prestigiada que só pode ser observada a partir de um olhar apaixonado.



Depois de uma sugestão dela pra que se abriguem no interior da Cyber Café eles entram porque, afinal, seus amigos estavam lá dentro e poderiam perceber que eles estavam ali fora a muito tempo falando sobre o nada.



Depois de, com muita dificuldade, conseguir fazer o login num PC da Cyber com aquele teclado completamente apagado de tanto os viciados jogadores baterem agressivamente naquelas teclas. O rapaz tímido, porém encorajado por um impulso descontrolado formula delicadamente uma estratégia para que o objetivo da aproximação seja realizado:

-Tem orkut Gisa?

-Claro q sim! - Gisa era uma amiga distante. Não haveria o menor motivo descente para que ele faça tal pergunta, a não ser a presença da outra na Cyber Café.

-Ei você - voltando o estranho rubor sem motivos aparentes - tem orkut?

-Sim sim! - A animação dela anima mais ainda ele dando mais força pra continuar no seu incrível plano de aproximação. - Estou no da Gisa.



Recados, semanas, palavras, fatos, apertos de mão, mais encontros e mais apertos de mão. Apertos de mão demorados, delicados e carinhosos, porém a dúvida ainda pairava nele. Ele não conseguia diferenciar um flerte de uma atitude normal dela.

Ele a admirava, achava que era simpática, inteligente, carinhosa, não conseguia distinguir a diferença entre um carinho a mais ou uma educação refinada, uma gentileza ou uma tentativa de chamar atenção.



Ninguém sabe ao certo o que acontecia com os sentimentos confusos e petrificados desses dois. A ansiosidade é uma das piores inimigas do ser humano. Nosso querido rapaz não sabia ainda mas tinha se tornado um escravo dos próprios sentimentos. Morrer de ansiosidade recarregando páginas da internet várias e várias vezes. Se retorcendo de tédio no sofá da sala porque ela não está. Mas não sabia se era tédio ou alguma outra coisa que o fazia chorar com uma sufocante vontade de ligar, mesmo sabendo que seria arriscado. Mas alguma coisa adora desestabilizar a singela balança de equilíbrio entre a loucura e a sanidade.



-Não aguento! Sem você mas um minuto não aguento! TENHO QUE LIGAR! DROGA!

O coitado fala, resmunga sozinho aos ventos o que a outra não consegue escutar, porque, afinal, é um momento difícil de decisão. Liga ou não liga?



Solidão é um dom que não me convém!

Um comentário:

Unknown disse...

Feliz é a pessoa que vive só e se sente sempre acompanhada! *-*
Me identifico com o texto.. :)