terça-feira, fevereiro 16

Hiper. II

Ele não conseguia se lembrar de quando que os recados do orkut se tranforaram em janelas piscando do messenger e nem quando tinha adquirido coragem o suficiente para dar o seu número de telefone para a outra. Tendo em vista que fez isso em troca do número dela também.

-Controle-se imbecil!

Com o celular azul e a luz laranja iluminando seu rosto no escuro da casa, ele descobria uma crise de ansiedade como nunca havia sentido anteriormente à sua súbita e nova amizade especial. Ele adorava ficar sozinho em casa. Sentia-se livre. Livre para conversar com a outra no messenger sem que ninguém desconfiasse de nada além de um papo casual com alguém qualquer na internet.

-O que está acontecendo?

Extremamente abalado com a situação em que se encontrava resolveu tentar refugiar-se com um novo amigo. Nova amizade para ele, contudo uma quase recente e ao mesmo tempo intensa amizade de uns seis meses dela.
Ele desceu o cursor do celular alguns nomes a baixo e apertou o botão verde. Verde de esperança e excitação emocional. Ainda agitado com o surto de ansiosidade e uma voz meio trêmula:

-Alô? Cris? Oi, olha, vamos lá na Cyber?
-Ok 20 minutos. Te vejo lá.

Os dez minutos mais demorados da vida dele, já que a Cyber ficava a outros dez minutos da casa do descuidado menino de apenas dezessete anos.

O lugar parecia normal aos olhos humanos, porém aos olhos de um apaixonado era um cenário incrível. O escuro era quebrado apenas pelas luzes de corredores de computadores e seus usuários frenéticamente vidrados na tela. Na verdade se alguém analizasse bem o lugar poderia encontrar várias cenas diferentes, como pessoas tristes com uma separação mortal, pessoas felizes com uma nova paquera, ou até mesmo um jogo alucinante que promovia a realização visual de pessoas mergulhadas em seus desejos virtuais sendo atingidos pelos incríveis gráficos desenhados numa tela de vidro.

Cris se atrasara, ou nosso jovem perturbado que deve ter se apressado por algum motivo especial?

Do lado de dentro ele observa atentamente cada ruído da rua fria e molhada rua pelo chuvisco constante, sendo quebrados apenas pelo teclado enfurecido dos jovens no lugar.

É absurdamente impressionante o quão aguçado pode se tornar o ouvido humano para o arder de uma paixão enfurecida da adolescência. Ao longe ele escutava uma sequência de palavras muito bem escolhidas como uma voz que se aproximava rápido. Ele tinha certeza que era ela. Seus batimentos aceleravam muito rápido, ele ficava claramente sem jeito com a situação. Sentado no banco de espera feito de madeira ele não sabia onde pôr as mãos suadas. Mas aquela cena de terror parecia não ter fim. Ela não entrou. Ela ficou ali fora conversando com dois outros amigos. Ele não aguentava mais. Ele conseguia vê-la claramente com seu sorriso lindo e sua gesticulação meticulosa, porém ela não conseguia vê-lo, porque o vidro filmado impedia. Mas parece que entre uma palavra e uma gargalhada ela tentava observar por detrás daquele vidro, será que ela procura algo? Ou alguém?

Finalmente, os três decidem entrar um comprimenta um amigo a outra faz observações sobre o mural, mas para ele pouco importava os outros dois o que realmente importava ela ela vindo em sua direção com um sorriso que lhe tiraravam dos trilhos.

-Olá, que bom te ver por aqui! - Com animação e uma distância corporal bem sucinta ela afirma.
Ele quase não consegue esconder, mas com grande força responde a saudação.
-É, bom te ver também estou esperando o Cris. Por acaso você viu ele por aí?
-Não, não. Todas as máquinas ocupadas? - Ela sabia que às sextas pela noite nunca tinha uma máquina que não estivesse ocupada.
- A fila está muito grande. Meia hora para desocupar a próxima máquina! - Isso era ótimo para ele. Mas tempo para poder apreciar sua companhia. Agora mais confortável com a situação com menos espaços entre as frases ele continuava a conversa sobre como às sextas as pessoas não tinham nada pra fazer e se refugiavam no mundo virtual.

O telefone dele toca.
-Só um minuto. - Ele diz com um sorrizo de lado, querendo demonstrar algum charme retirado de inúmeras experiências de filmes.

-Alô? Oi! O que você está fazendo? Do outro lado uma entediada e doce voz pergunta.
-Eu? Tô ...tô ... na Cyber.
-Ah tá. Pensei que estivesse de bobeira. Talvez você pudesse me visitar. Não tenho nada pra fazer!
-Eu tô meio ocupado agora. Te ligo depois. - Sem dar muita atenção na menina do outro lado da linha ele se livra rapidamente antes que perca a incrível oportunidade de ter um dos melhores encontros em semanas. Mas ele olha para a companhia com o pesar de sentir a dor de uma traição. Afastado do outro lado do lugar que devia media uns 5 metros quadrados.

-Mas que besteira! Não há traição. Ele pensava.
-Se desprenda agora dessa tolice e aproveite imediatamente a conversa agradável.

-Amanhã eu passo aí! Tá amor? Beijo, tchau.
-Minha mãe tá te mandando um beijo de sua sogrinha mais queridinha no mundinho inteirinho.


Sua namorada sabia que algo estava errado! Mas afinal, quem poderia condenar seu pobre e relutante coração ardente?


"Dias difícies o qual meu coração perde os pedaços mais importantes para os sentimentos mais perversos deste mundo!

Sim! Os seres humanos perdem pros sentimentos!

Algo que eles deveriam dominar, pois são preparados com raciocínio e lógica!

Dias Importantes Sentimentos Humanos Dominar Lógica...

Nada disso faz sentido mesmo!
Fracos Nojentos Falsos Pútridos Ameaçadores ... seres humanos!"

2 comentários:

Rosane disse...

Ainda estou curiosaaaaaaaaa...
para saber se ele emfim vai deixar o coração falar.
ta interessante cunhado. continueeeeeeeee...quero mais!!!

Anônimo disse...

Aí que coisa,você sempre para na melhor parte! Quero mais, mais, mais,mais................
rsrsrs Muito legal, ainda não acredito que saiu de você isso,mas... kkkk
Bju